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Arquivos do Fundador · Nº 78 · Mundo

A Nike começou como um trabalho de faculdade que tirou nota e parou aí. Phil Knight pegou um avião e a transformou em empresa.

A ideia da Nike foi um trabalho de faculdade que tirou nota e morreu na gaveta. O que fez dela uma empresa foi Phil Knight pegar um avião e pedir os direitos pessoalmente. A história inteira, com as fontes.

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Lamin NgobehApresentador e fundador, Fica com Deus 8 min de leitura

A resposta curta

Phil Knight (nascido em 1938) cofundou a Nike — mas a ideia começou como um trabalho de escola de negócios em Stanford que tirou nota e parou aí. Nele, Knight defendia que os tênis de corrida japoneses podiam fazer com as marcas alemãs o que as câmeras japonesas já tinham feito com as câmeras alemãs. O que separou o trabalho da empresa foi ter pegado um avião: ele foi ao Japão, entrou na Onitsuka e pediu os direitos de distribuição de um distribuidor que ainda não existia. Ele e o técnico Bill Bowerman entraram com cerca de 500 dólares cada e fundaram a Blue Ribbon Sports em 1964. A marca própria, a Nike, veio em 1971.

História

Um trabalho de faculdade, um avião e um porta-malas.

Phil Knight correu atletismo na Universidade de Oregon, sob o comando do técnico Bill Bowerman — um homem que já cortava e remontava tênis para deixar seus atletas mais rápidos. Depois, na escola de negócios de Stanford, Knight escreveu um trabalho com uma tese: os tênis de corrida japoneses podiam fazer com as marcas alemãs o que as câmeras japonesas já tinham feito com as câmeras alemãs. Ele tirou nota. E foi só isso.

A maioria das ideias morre aí, na gaveta, com uma boa nota em cima. Knight fez a coisa que separa um trabalho de uma empresa: pegou um avião. Foi ao Japão, entrou na Onitsuka e disse que representava um distribuidor — um distribuidor que ainda não existia. Pediu os direitos e voltou com um acordo. Ele e Bowerman entraram com cerca de 500 dólares cada e fundaram a Blue Ribbon Sports em 1964. Knight vendia os tênis no porta-malas do carro, em competições de atletismo, para corredores, um par de cada vez.

A marca própria, a Nike, foi lançada em 1971. Knight pagou 35 dólares a uma estudante de design, Carolyn Davidson, pelo Swoosh. Anos depois, sem que ninguém pedisse, deu a ela ações da Nike — uma correção silenciosa por um símbolo que passara a valer muito mais do que aquilo. A tese estava certa desde o trabalho de faculdade. Ela só não valeu nada até alguém pegar o avião.

O traço

Autossuficiência

Um dos 7 traços · Arquivos do Fundador

Ver o momento certo não vale nada. Pegar o avião vale tudo.

Timing aqui não é só enxergar a onda antes dos outros — Knight enxergou, e escreveu num trabalho de faculdade que tirou nota. O que valeu foi ser o único que agiu sobre a leitura, pessoalmente, antes de qualquer um. A ideia certa é comum; agir sobre ela na hora certa é raro.

  • Enxergar a tendência certa é o começo, não a vitória — a maioria vê e não faz nada.
  • O que transforma uma ideia num negócio raramente é mais análise; é a decisão de aparecer em pessoa e pedir.
  • Momento certo tem prazo: quem age primeiro sobre a leitura fica com a distribuição que os outros ainda estão pensando em pedir.

Lições

Quatro decisões que fizeram a diferença.

01

A ideia certa não bastava.

A tese da Nike — os japoneses superando os alemães — nasceu num trabalho de Stanford que só tirou nota.

Ver o momento certo é o primeiro passo, não o negócio. Sozinha, a boa ideia fica na gaveta.

02

Ele pegou um avião.

O que separou o trabalho da empresa foi Knight ir ao Japão em pessoa, entrar na Onitsuka e pedir os direitos — de um distribuidor que ainda não existia.

Muitas vezes o que falta não é mais planejamento — é aparecer pessoalmente e fazer o pedido.

03

Ele começou pequeno e físico.

Com cerca de 500 dólares cada, ele e Bowerman fundaram a Blue Ribbon Sports em 1964; ele vendia no porta-malas do carro, um par por vez.

O começo não precisa parecer com o final. Precisa só existir, com o produto na mão de quem compra.

04

Ele corrigiu quem construiu com ele.

Anos depois, sem que ninguém pedisse, deu ações da Nike à designer que fez o Swoosh por 35 dólares.

Reconhecer quem esteve lá no começo, quando já dá para reconhecer, protege o nome mais do que qualquer contrato.

Dados

Os números, com o ano em que valem.

Datas coladas em cada marco, do trabalho de faculdade à marca própria. Só o que a fonte sustenta — e uma ressalva honesta sobre o que vem do relato do próprio Knight.

De um trabalho de faculdade a uma marca lançada em 1971

Fontes · Britannica
NascimentoPortland, Oregon; correu atletismo em Oregon sob Bill Bowerman 1938
O trabalho de Stanfordtese: tênis japoneses vs marcas alemãs, como as câmeras início dos anos 1960
Capital inicialele e Bowerman, num aperto de mão US$ 500 cada
Blue Ribbon Sportsvendia no porta-malas do carro, um par por vez 1964
Nike (marca própria)deixou de só distribuir a Onitsuka 1971
O Swooshpago a Carolyn Davidson; anos depois, ações da Nike US$ 35

Marcos confirmados pela Encyclopædia Britannica e pela história oficial da NIKE, Inc. O relato do avião e da venda no porta-malas — 'um distribuidor que ainda não existia' — vem do próprio Knight, na autobiografia Shoe Dog; reproduzido como o relato dele, não como registro independente.

Estratégia

O que dá para tirar disso sem virar imitação.

A leitura preguiçosa é "tenha uma boa ideia". A útil é outra: Knight teve a ideia certa e ela não valeu nada por um bom tempo. O trabalho de Stanford estava correto — os japoneses realmente engoliram o mercado alemão. Mas correto não é o mesmo que feito. A tese ficou parada, com uma nota em cima, até ele decidir agir sobre ela.

A segunda parte é o avião. O que separou o trabalho da empresa não foi mais pesquisa, nem um plano melhor — foi aparecer em pessoa. Ele foi ao Japão, entrou na Onitsuka e pediu os direitos de um distribuidor que ainda não existia. Depois vendeu no porta-malas do carro, um par de cada vez, por anos, antes de qualquer marca própria. Timing não é só enxergar a onda; é ser o que pega o avião enquanto os outros ainda escrevem o trabalho.

A pergunta que fica não é "você tem boas ideias?". É: qual leitura certa você já tem há tempo e ainda não agiu — que reunião você não marcou, que porta você não bateu, que pedido você não fez pessoalmente? Nomear essa uma coisa é o começo. Qual é o avião certo para o seu caso, e como pedir sem parecer que está blefando, é a parte que muda por pessoa — e essa é a conversa.

A leitura desta semana A Marca da Vitória — Phil Knight (2016)

A autobiografia do próprio Knight — o trabalho de faculdade, o avião para o Japão e o porta-malas do carro, contados por quem viveu. Edição brasileira pela Sextante (título original: Shoe Dog).

Faça hoje

Escreva a leitura certa que você já tem há tempo e ainda não agiu. Agora marque a reunião — ou compre a passagem — que transforma essa leitura num pedido feito pessoalmente. A ideia você já tem; falta o avião.

Fontes

De onde veio cada afirmação.

  1. Phil Knight — Biography, Nike, Bill Bowerman, Book, & Facts Encyclopædia Britannica · s.d.
  2. Phil Knight and Bill Bowerman: The Handshake That Started It All NIKE, Inc. · s.d.

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