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Arquivos do Fundador · Nº 68 · Mundo

Harvey Firestone escolheu a peça que todos achavam chata. E fez fortuna no aperto de mão.

Ele foi direto na parte que todos achavam chata — o pneu — e num mercado que só brigava por preço, fez negócio no aperto de mão. Uma relação com Henry Ford pôs os pneus dele sob a América. A história inteira, com as fontes.

FundadoresTraço · CaraterMundo
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Lamin NgobehApresentador e fundador, Fica com Deus 8 min de leitura

A resposta curta

Harvey Firestone (1868–1938) fundou a Firestone Tire and Rubber em Akron, em 1900, escolhendo justamente a parte que os outros achavam chata: o pneu, onde a borracha encosta no chão. Num setor que só competia por preço, construiu o negócio sobre confiança e no aperto de mão. Uma relação de fornecimento com Henry Ford pôs os pneus dele debaixo dos carros que colocaram a América na estrada. E o círculo que ele cultivava — Ford, Thomas Edison e o naturalista John Burroughs, os Vagabonds — era vantagem de negócio de verdade, não enfeite social.

História

A peça chata, o aperto de mão e um círculo poderoso.

Harvey Firestone nasceu em 1868, numa fazenda em Ohio. Antes de os carros existirem de verdade, ele vendia charretes. Foi ali que aprendeu uma coisa simples: a roda é onde o veículo de fato encontra a estrada — e onde ele falha. A parte que parecia detalhe era, na verdade, o ponto que decidia tudo.

Os primeiros automóveis eram feitos por gente obcecada por motores. Ninguém sério trabalhava no que acontecia onde a borracha encosta no chão. Firestone foi direto nesse componente que todos tratavam como detalhe e fez dele o negócio inteiro: fundou a Firestone Tire and Rubber em Akron, em 1900, com 17 funcionários. Depois apostou que a motorização em massa ia precisar de pneus mais rápido do que qualquer um conseguiria produzir. Não tinha capital para brigar de igual para igual. Tinha a palavra. Fazia negócio no aperto de mão e cumpria.

Uma relação de fornecimento com Henry Ford pôs os pneus dele debaixo dos carros que colocaram a América na estrada. E aqui está a parte que vale copiar: ele, Ford, Thomas Edison e o naturalista John Burroughs faziam longas viagens de acampamento juntos por anos, um grupo conhecido como os Vagabonds. O círculo dele não era nota de rodapé social — era vantagem de negócio. Nos anos finais da vida dele, a empresa já fornecia mais de um quarto de todos os pneus de automóvel dos Estados Unidos.

O traço

Autossuficiência

Um dos 7 traços · Arquivos do Fundador

Caráter é competir no aperto de mão, quando todo mundo só briga no preço.

Caráter aqui não é só honestidade. É escolher a confiança como estratégia num mercado obcecado por preço — fazer negócio pela palavra e tratar as relações como o ativo principal, não como enfeite social.

  • Num setor que só compete por preço, a palavra confiável vira uma vantagem que o concorrente não copia.
  • A peça 'chata' que todos ignoram costuma ser onde o produto de fato encontra o cliente — e onde ele falha.
  • O círculo de gente ao seu redor pode ser um ativo de negócio de verdade, não uma nota de rodapé social.

Lições

Quatro decisões que fizeram a diferença.

01

Ele foi direto na peça que todos achavam chata.

Ninguém sério trabalhava no pneu; ele fez do componente ignorado o negócio inteiro, fundando a Firestone em Akron, em 1900.

O ponto onde o produto encontra o cliente costuma ser o mais ignorado — e o mais valioso.

02

Ele fez negócio no aperto de mão.

Sem capital para brigar no preço, construiu a empresa sobre confiança; a relação de fornecimento com Ford pôs os pneus dele sob os primeiros carros em massa.

A confiança é uma vantagem que o concorrente não consegue copiar na tabela de preços.

03

Ele tratou o círculo como ativo.

Ele, Ford, Edison e o naturalista John Burroughs acampavam juntos por anos — os Vagabonds.

As pessoas que você cultiva podem ser vantagem competitiva, não passatempo.

04

Ele pegou o que todos subestimavam — duas vezes.

A peça chata que ninguém queria e as relações que todo mundo tratava como detalhe: apostou nas duas.

O valor costuma estar exatamente onde a maioria não olha — no componente ignorado e na relação subestimada.

Dados

Os números, com o ano em que valem.

Do galpão em Akron ao quarto dos pneus da América — só o que a fonte sustenta, com a data colada.

De 17 funcionários em 1900 a um quarto dos pneus dos EUA

Fontes · Britannica
Nascimentonuma fazenda em Ohio; vendia charretes antes dos carros 1868
Firestone Tire and Rubberfundada em Akron, com 17 funcionários 1900
Fornecedor da Fordpneus dele sob os primeiros carros em massa por volta de 1906
Os Vagabondsacampava com Ford, Edison e o naturalista John Burroughs por anos
Fatia do mercado dos EUAde todos os pneus de automóvel, por volta de 1937 mais de 1/4
Mortedeixando uma das maiores fabricantes de pneus do país 1938

Marcos confirmados pela Encyclopædia Britannica. As viagens dos Vagabonds (Firestone, Ford, Edison e John Burroughs) estão documentadas pelo acervo do The Henry Ford. O ano do acordo de fornecimento com a Ford aparece nas fontes como por volta de 1906.

Estratégia

O que dá para tirar disso sem virar imitação.

A leitura preguiçosa é "faça networking". A útil é outra: Firestone escolheu competir onde ninguém queria. O pneu era a peça chata, ignorada por gente obcecada por motor — e ele fez dela o negócio inteiro. Ao mesmo tempo, num setor que só brigava no preço, apostou na confiança: fazia negócio no aperto de mão e cumpria.

A segunda parte é o círculo. Ele, Ford, Edison e o naturalista John Burroughs acampavam juntos por anos — os Vagabonds. Não era passatempo de gente rica; era vantagem de verdade. A relação de fornecimento com Ford pôs os pneus dele sob os carros que colocaram a América na estrada. Confiança não aparece na tabela de preços, mas move contratos que preço nenhum move.

A pergunta que fica não é "quantos contatos você tem". É: qual peça chata, que todo mundo trata como detalhe, é justamente onde o seu produto encontra o cliente? E quais relações você cultiva pela palavra, não pelo cálculo? Nomear as duas é o começo. Transformar isso numa vantagem que o concorrente não copia é a parte que muda por pessoa — e essa é a conversa.

A leitura desta semana Men and Rubber: The Story of Business — Harvey S. Firestone com Samuel Crowther (1926)

A memória do próprio Firestone sobre como construiu o negócio — a lógica da confiança, da peça certa e das relações, contada por quem viveu. ⚠ Escrita em inglês; verifique edição em português antes de indicar.

Faça hoje

Escreva a peça 'chata' do seu negócio — o ponto onde o seu produto de fato encontra o cliente e que você trata como detalhe. Agora escreva o nome de uma pessoa com quem você faz negócio pela palavra, no aperto de mão. Cuidar dessas duas coisas é onde a vantagem começa.

Fontes

De onde veio cada afirmação.

  1. Harvey S. Firestone | Businessman, Tire Manufacturer, Rubber Innovator, & Entrepreneur Encyclopædia Britannica · s.d.
  2. Business Lessons from Firestone Farm The Henry Ford · s.d.

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