A resposta curta
Guilherme Benchimol cofundou a XP em 2001, em Porto Alegre, com cerca de R$ 15 mil, dois estagiários e dez computadores usados numa sala de 25 metros quadrados. A ideia — que o brasileiro comum deveria conseguir investir — quase morreu na crise de 2008; o que salvou a empresa não foi mudar de ideia, foi mudar de caminho. Em 11 de dezembro de 2019, a XP abriu capital na Nasdaq.
História
Dez computadores usados e uma sala de 25 metros.
Em 2001, Guilherme Benchimol e Marcelo Maisonnave abriram um escritório de agente autônomo de investimentos em Porto Alegre. O capital era de cerca de R$ 15 mil (em valores de 2001), a equipe eram dois estagiários e os computadores eram de segunda mão. A ideia era simples e, na época, meio absurda: o brasileiro comum deveria conseguir investir.
A XP virou corretora em 2007. Um ano depois, a crise internacional derrubou a Bolsa e a receita evaporou junto. A empresa precisou cortar salários e demitir. Viver de corretagem de ações tinha virado uma armadilha — quando o mercado para, a receita para junto.
Ele não largou a ideia. Largou o modelo. Em vez de disputar com os bancos grandes o cliente que já existia, a XP passou a criar o cliente: cursos de educação financeira para formar o investidor que ainda não estava lá. Em 11 de dezembro de 2019, a empresa que nasceu numa sala de 25 metros quadrados abriu capital na Nasdaq.
O traço
Autossuficiência
Um dos 7 traços · Arquivos do Fundador
Ele não mudou de ideia. Mudou de caminho até a ideia funcionar.
Foco aqui não é teimar no plano. É segurar a ideia com força e trocar o modelo quantas vezes forem necessárias, sem nunca soltar o que o negócio existe para fazer.
- A ideia e o modelo não são a mesma coisa — dá para manter uma e trocar o outro.
- Quando o cliente pronto não aparece, criar o cliente é uma estratégia, não um plano B.
- Contar a parte ruim da história aumenta a confiança; esconder o quase-fim custa mais caro.
Lições
Quatro decisões que fizeram a diferença.
Ele separou a ideia do modelo.
A ideia — o brasileiro comum deveria conseguir investir — nunca mudou. O que quebrou em 2008 foi o jeito de sustentá-la: viver de corretagem.
Quando o negócio trava, pergunte se é a ideia ou o modelo que falhou. Trocar o segundo salva o primeiro.
Ele criou o cliente em vez de disputá-lo.
Em vez de brigar com os bancos grandes pelo investidor que já existia, a XP formou o investidor que ainda não estava lá, com educação financeira.
Quando o mercado pronto é pequeno ou dominado, ensinar primeiro fabrica a demanda que você depois atende.
Ele conta a parte ruim.
Ele fala abertamente que 2008 foi quase o fim — e que foi a crise que obrigou a empresa a virar o que ela é. Não vende um plano que sempre deu certo.
A honestidade sobre o quase-fim constrói mais confiança do que uma trajetória impecável em que ninguém acredita.
A crise foi o que forçou a virada.
A diversificação e a mudança de modelo vieram depois de 2008, não antes. O aperto empurrou a decisão que o conforto adiava.
Nem toda crise é só perda; algumas obrigam a mudança que você não faria sozinho a tempo.
Dados
Os números, com o ano em que valem.
O contraste em que a história inteira cabe: uma sala de 25 metros em 2001 e a Bolsa de Nova York em 2019. Os valores do IPO ficaram de fora — os dois checadores não concordaram sobre eles.
Da sala de 25 m² à Nasdaq, em marcos datados
Fontes · Exame · InfoMoney · WikipédiaO capital inicial (≈ R$ 15 mil) é em valores de 2001. Os números do IPO — valor captado e valuation — foram cortados porque só um checador os sustentou; a data já entrega o contraste com a sala de 25 metros.
Estratégia
O que dá para tirar disso sem virar imitação.
A leitura fácil é "não desista". Mas Benchimol não teimou no plano — ele trocou o modelo. A ideia de que o brasileiro comum deveria investir ficou intacta; o jeito de ganhar dinheiro com isso, viver de corretagem, é que quebrou em 2008 e precisou ser trocado.
O movimento que costuma passar despercebido é ter criado o cliente em vez de disputá-lo. Quando o investidor pronto era pouco e dominado pelos bancos, a XP formou o investidor que ainda não existia. Ensinar primeiro não é generosidade — é como se fabrica a demanda que depois se atende.
E há a parte que ele não esconde: 2008 foi quase o fim, e foi a crise que obrigou a virada. A pergunta que a trajetória devolve não é "qual a fórmula da XP?" — é "a sua ideia está travada, ou é só o seu modelo?". Separar as duas é o trabalho, e ele não cabe num post.
Escreva, separadas, duas frases: a sua ideia (o que o negócio existe para fazer) e o seu modelo (como ele ganha dinheiro hoje). Quando algo travar, você vai saber qual das duas mudar.
Fontes
De onde veio cada afirmação.
- Guilherme Benchimol, o professor de finanças Exame ·
- XP Investimentos — verbete Wikipédia (pt) ·
- Guilherme Benchimol — perfil InfoMoney ·
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